Acordei e fui para a escola, meus pulsos doíam, eu havia me cortado muito na noite passada. Cheguei e não disse oi para ninguém, acho que haviam percebido que eu não queria conversar com ninguém, coloquei os fones no máximo e me debrucei na classe tentando esquecer que eu estava na escola. Quando me dei conta as lagrimas já estavam saindo e encharcando minha blusa. Isso me deixou com raiva porque eu estava chorando? Ou por quem? Eu sabia que era por mim mesma e isso me deixou pior, o que me fez chorar mais. Comecei a apertar meu braço por baixo da classe e já podia sentir o sangue saindo outra vez. Tive que me levantar, precisava ir ao banheiro lavar o rosto, o braço e me acalmar. Mas fui interrompida por uma garota de olhos verdes, loira e o pior de tudo: magra, muito magra.
- O que foi gorda?
Não respondi.
- Está chorando porque não consegue emagrecer?
Ela riu, eu chorei.
- Um dia você vai conseguir ou não (risos) mas me diz aí… você sempre tá com esse moletom, mesmo nos dias quentes… porque?
- Você nem me conhece.
Respondi friamente.
- Por isso mesmo estou perguntando, porque quero saber.
- Também não precisa ser grossa.
Falei magoada.
- Calma, eu não estou sendo grossa.
Ela começou a passar em volta de mim.
- Mas eu realmente fiquei curiosa sabe… sobre isso de você estar sempre com “frio”.
Ela fez um sinal de aspas no ar quando falou a palavra “frio”.
- Eu tenho quase certeza que você está escondendo alguma coisa.
- Não estou escondendo nada, e você não sabe nada da minha vida.
- Então você não esconde nada? Mesmo?
- Sim.
- Então tira o moletom.
- Eu não estou com blusa por baixo.
Menti.
- Ah é?
Ela ergueu uma parte do meu moletom e viu que eu estava com uma blusa por baixo. Fui descoberta. Droga. Devo correr? Fugir? Seria muito suspeito. As lagrimas voltaram.
- Vamos, tira logo esse moletom!
Ela gritou.
- Você não pode me obrigar.
Gritei de volta.
- Se você não tirar eu arranco ele de você.
Eu não sabia porque mas eu tinha certeza que ela estava falando sério.
- Não quero tirar!
- Não tem querer, você vai tirar e pronto!
Coloquei as duas mãos no rosto e comecei a chorar mais forte, solucei. Ela chegou mais perto, podia até mesmo sentir a respiração dela perto de mim, meu coração disparou. A esse ponto haviam muitas pessoas ao nosso redor. Ela deu um puxão em uma manga , e eu puxei de volta.
- Não, me deixa em paz!
Eu implorei.
- Agora que eu tenho mais do que certeza que você tem alguma coisa embaixo da manga. Vamos, mostra!
- Não!
Tentei correr mas ela me empurrou de volta.
- Você não vai a lugar nenhum, Sam me ajuda aqui.
Uma amiga dela que assistia a tudo desde o inicio veio ajudá-la. As duas conseguiram tirar meu moletom com uma rapidez incrível, quando percebi estava só de manga curta, e meus cortes, expostos. Tentei esconder mas haviam cortes até perto do meu ombro, não tinha como esconder, não havia mais nada a fazer a não ser chorar. Alguns cortes sangravam e cicatrizes eu tinha aos montes. Cortes feitos com lâminas, canivetes, cacos de vidro e até giletes. Cortes finos, grossos quentes e frios, ficaram em silêncio, todos me olhando. Somente dava pra ouvir o meu choro. Depois de um tempo ela resolveu falar.
- Eu sabia que você escondia alguma coisa, mas o que é isso?
Ela perguntou apavorada.
- Você que fez isso?
Uma garota ao lado perguntou. Eu não sabia se devia ou não responder, eu queria fugir dali mas não podia, todos me olhavam. E o pior, haviam cortes que estavam sangrando. Todos me olhavam e eu não sabia o que fazer. Um dos garotos pegou meu moletom das mãos da garota, me pegou pelo braço e disse.
- Vem comigo!
Ninguém tentou impedir, e eu fui, qualquer um que me tirasse dali estava de bom tamanho, não importasse quem. Mas na verdade eu não sabia quem ele era, só conhecia ele de vista, nem o nome dele eu sabia.
- Posso começar perguntando seu nome?
Falei em meio aos soluços.
- Lucas, e o seu é Julia, disso eu sei.
Ele falou olhando para o chão.
- Para onde estamos indo? – Perguntei.
- Você vai ver. – Ele me deu um sorriso malicioso e eu não entendi porque.
Ele me levou para um lugar longe da escola, não muito longe, mas longe o suficiente pra ninguém me ouvir chorar. Eu continuai chorando todo o caminho e ele calado, vesti meu moletom e ele sentou na grama perto de várias arvores. Por incrível que pareça eu não conhecia aquele lugar. Sempre fiquei apenas na escola, então não descobri que havia ali um esconderijo para eu chorar sozinha se quisesse.
- Quero fazer uma pergunta.. como você descobriu esse lugar?
- Venho aqui sempre que me sinto sabe.. mal.. e quando quero refletir sobre alguma coisa.. descobri sozinho. E não vou mentir, eu tenho vindo mais vezes aqui pensando em você. Quer dizer, porque você sempre age dessa forma, como se nada te machucasse sendo que por dentro você é mais frágil que uma pena sabe. Sempre quis entender isso, e percebi a algum tempo que você só usa moletom, e agora eu sei porque, eu desconfiava que você se cortava mas não tinha certeza, hoje eu tive, e infelizmente eu me senti muito mal por não ter vindo falar com você antes. Me perdoa ta?
- Perdoar? Se você diz, mas não vejo o porque, você não tem obrigação nenhuma de vir falar comigo.
Ele continuou.
- Eu vinha aqui e ficava pensando em como te ajudar sabe, você andava chorando nas aulas e saia desse jeito pra ir pro banheiro, hoje, agora, fico imaginando se você levava sua lâmina para o banheiro para se cortar na escola mesmo, e se lá, trancada você fazia cortes nos pulsos com os olhos cheios de lágrimas, e eu lá na sala, quando na verdade poderia estar te abraçando e impedindo de se machucar.
- Porque você está falando tudo isso?
- Porque é o que eu sinto. Me desculpe se estou assustando você.. Não era minha intenção.
- É que é tudo tão, mas tão difícil, que eu não sei mais o que fazer. – Desabei.
- O que eu posso fazer pra tentar te ajudar?
- Vai por mim, você não vai querer se meter nessa, muitas pessoas tentaram me ajudar, mas não tem volta, eu não consigo parar, é algo mais forte do que eu, eu não controlo, eu preciso me cortar para me sentir melhor e nada vai mudar isso, vou pra sempre ser essa garota triste e retalhada. E agora todos sabem, vão chamar meus pais na escola e fazer um drama por causa disso.
- Mas seus pais sabem?
- Sim, mas acham que eu parei faz um ano, quando na verdade só se intensificou.
- Entendi, o que eles vão dizer se descobrirem?
- Nada, eles simplesmente não se importam comigo.
Nesse momento ele me deu um abraço inesperado, mas eu precisava dele e de alguma forma ele sabia disso, chorei mais, queria ficar ali, naquele abraço esquecendo de tudo.. ele estava sendo tão bom comigo, tão amigo que nunca ninguém foi.
- Como você sabia que eu precisava de um abraço agora?
- Sinceramente não sabia, apenas senti, eu sei o que você sente.
Ele me mostrou seu pulso esquerdo e tinha varias cicatrizes.
- Você parou?
- Estou a cinco anos sem um corte, mas ainda tomo remédios controlados.
- É uma luta diária. – Falei pensando longe.
- Exatamente. – Ele concordou.
- Posso tentar te ajudar a parar?
- Eu já disse, sou um caso perdido.
- Nenhum caso é perdido, você ainda está aqui, certo? Então eu ainda posso fazer alguma coisa!
- Você não entende..
- Entendo sim, e até demais. Confie em mim.
- Desculpa mas porque eu deveria confiar em você? Acabamos de nos conhecer.
- Porque eu passei pelo mesmo que você está passando. Certo, isso é um péssimo motivo, mas não tinha outro além desse para te falar.
Eu sorri, um sorriso triste.
- Eu odeio te ver assim. – Dei de ombros.
- Não chora, ninguém merece suas lagrimas, e nem seus cortes.
- Eu não choro por alguém, nem me corto por alguém, apenas por mim, sabe, por eu ser desse jeito todo errado.
- Quem disse que você é toda errada?
- Eu disse, porque eu convivo comigo então sei o que estou dizendo.
- Deveria aprender a se conhecer mais.
Fiquei pensando nesse comentário.
- Você é uma menina linda, com um corpo lindo e precisa valoriza-lo. E não estou te paquerando que fique bem claro. – Ele deu aquele sorriso torto de novo, “meu Deus”, pensei.
- Você quer mesmo ser meu amigo?
- Sim, é o que eu estou tentando fazer.
- Então vou dizer as regras, 1- não fale que sou bonita 2- não diga que sou magra 3- não me elogie.
- Tudo isso? Meu Deus, mas porque?
- Porque eu sei que você só estaria dizendo isso para eu me sentir melhor, e acredite, nada via me fazer sentir melhor comigo mesma, nem um elogio por mais bonito que seja. Eu me odeio, odeio meu corpo, sou gorda e feia, e isso nunca vai mudar, não existem palavras que mudem o que eu sou, eu sou um monstro.
- Tudo bem, vou seguir suas regras, mas preciso te dizer uma coisa… um dia eu vou te provar que você não é nada disso, anota ai!
- Tanto faz. – Dei de ombros outra vez.
Ele colocou a mão na minha nuca e por um segundo pensei que ele ia me beijar , mas não, ele só fez um carinho e afastou a mão. Na verdade eu queria que ele me beijasse, mas não estava com cabeça pra pensar nisso agora.
- Vamos?
- Aonde?
- Eu preciso ir pra casa, a essa altura meus pais já sabem e vão tentar dar uma de “somos bons pais e queremos conversar com você” e depois voltarem a rotina de que eles tem uma filha que se corta e fingem que não sabem porque estão muito ocupados cuidando da vidinha ridícula deles.
- Isso dói né?
- Muito, vai me dizer que já passou por isso?
- Não, mas minha mão morreu fazem três meses.
- Eu sinto muito. – Não consegui pensar em outra coisa para dizer nessa hora, afinal é isso que as pessoas dizem quando alguém morre, certo?
- Eu sei, todos sentem, mas nada traz ela de volta.
Fiquei sem resposta.
- Desculpa não quis ser grosso com você… – Eu comecei a chorar de novo. – Me desculpe, mesmo olha eu não quis dizer isso… para de chorar por favor!
- Não é por isso que você falou, é que eu estou pensando em fazer uma coisa muito ruim hoje de noite.
- O que?
- Quer mesmo saber?
- Sim.
- Eu quero me cortar até acertar uma veia, uma vez eu quase consegui, por poucos milimitros não acertei, o medico diz que foi sorte, eu digo que foi azar.
- Então você quer se matar?
- Sim, eu não aguento mais isso, não consigo mais viver, nada me faz bem, eu choro dia e noite, me corto, vomito e não como, que vida é essa?
- Você não precisa fazer isso…
- Preciso sim, sinto muito.
- Isso é uma despedida? – Comecei a me afastar.
- Acho que sim.
- Espere! Não faça isso! – Ele correu até mim. – Eu preciso de você aqui.
- Porque precisa de mim?
- Não sei, só sei que preciso, por favor fique, acabamos de nos conhecer e não quero te perder, eu já perdi tantas pessoas. – ele começou a chorar.
- Não chore…
- É que você TEM uma vida e quer tirá-la, minha mãe queria viver e acabou morrendo, o mundo é injusto!
- Me perdoa por favor eu não quis ter essa intenção, por favor.
Abracei ele e deixei ele chorar no meu ombro, choramos os dois e depois de um tempo ele me olhou sério.
- Eu sei que você não teve a intenção, mas eu ainda sinto falta dela, eu ainda estou de luto e preciso de você aqui pra me ajudar a superar a falta dela, por favor fique.
- Certo, eu fico, mas você tem que parar de chorar.
- Tudo bem. – Ele secou as lagrimas.
- Mas eu não entendo uma coisa… porque justamente eu preciso ficar aqui pra te ajudar? Eu sou um nada, como posso te ajudar?
- Você pode e vai me ajudar, só de estar aqui eu me sinto melhor, não sei explicar o porque mas é assim que funciona, quando você está aqui eu sinto que posso ser eu mesmo e chorar se for preciso.
- Mas eu não sou o suficiente pra poder te ajudar, nem me ajudar eu consigo, imagine você!
- Não fale assim, por favor, você é especial e de alguma forma você vai me ajudar.
- Ta bom, se você diz. Mas vamos sair daqui.
- Aonde você quer ir?
- Não sei, só não quero mais ficar na escola, esse lugar me dá arrepios.
- Vamos eu te tiro daqui.
Ele colocou o braço sobre meus ombros e me guiou para fora da escola, nem fiz questão de perguntar para onde íamos, só o fato de sair daquela escola já estava ótimo. Chorei um pouco no caminho depois parei e resolvi perguntar.
- Onde vamos afinal?
- Na minha casa.
- Tudo bem.
Chegamos e ele abriu o portão, ele tinha um cachorro branquinho que veio cheirar as minhas pernas, e por sorte, gostou de mim. Pelo menos eu acho. Enfim, entramos e estava muito silencioso.
- Tem alguém em casa além de nós?
- Não, porque? Não se preocupa eu não vou te assassinar.
- Não é ISSO que me preocupa. – falei ironicamente.
- Então o que é?
- Ah quer saber? Deixa pra lá, é bobagem minha. Estou muito confusa então na verdade nem me importo de não ter ninguém em casa porque não quero que ninguém me veja chorar.
- Mas eu já vi e estou vendo.
- É diferente, todo mundo da escola viu e isso me deixou muito mal. Muito mesmo.
- Eu sei disso, olha, vamos ver um filme?
- Pode ser, menos de comédia, ok?
- Ok.
Ele pegou uma pilha de dvd’s e passou para mim.
- Você escolhe.
- Tudo bem.
Fui olhando se havia algum que me interessava e escolhi “garota interrompida”.
- Esse! Deve ser bom.
O filme na verdade se resumia na reabilitação de uma garota que foi internada por ter transtorno de personalidade, no filme, aparecia uma menina que tinha bulimia, uma que tinha anorexia e uma auto-mutiladora, me identifiquei muito. Chorei no ombro dele, quando estava quase no final do filme ele me olhou.
- Esse filme é terrível, está te deixando pior.
- Não está não. – falei limpando as lágrimas.
O filme acabou.
- Está com fome?
- Na verdade não. – meu estômago roncou me traindo.
- Eu sei que está, então seja sincera e diga “eu estou mas me recuso a comer essa pizza maravilhosa que você vai preparar”.
- É isso, fui pega, droga.
Ele sorriu.
- Come só uma fatia ta? Só uma eu prometo.
- Tudo bem, mas se eu precisar vomitar depois você não vai me impedir certo?
- Precisar? Não seria se você quiser?
- Tanto faz. – dei de ombros.
Ele preparou a pizza e eu comecei a ficar nervosa, sempre fico quando tenho que comer.
- Porque está balançando as pernas? – ele perguntou distraído.
- Nada, só estou nervosa, eu acho.
- Pelo que?
- Por comer.
- Você fica nervosa quando tem que comer?
- Sim, e muito.
- Desculpa perguntar mas quanto você pesa?
- 45kg porque?
- Porque você é magra, até demais sabe… todos percebem que essa sua magreza é doente.
- Eu não sou uma pessoa doente, porque todos me dizem isso? – comecei a chorar.
- Mas você está doente, só não quer enxergar, apenas isso.
- Não fale assim. – solucei.
- Tudo bem, o que eu faço pra você parar de ter fobia de comida?
- Não tem como, se eu comer depois vou vomitar ainda mais uma pizza que tem um bilhão de calorias em uma fatia.
- Você sabe as calorias de uma fatia de pizza?
- Sim, que sabor é?
- Quatro queijos.
- 432, sabe o que 432 calorias podem fazer com meu corpo? Eu posso engordar tudo o que perdi.
- Não acredito que você pensa assim, isso é mentira.
- Chega, não quero mais falar disso e se você continuar eu nem vou comer.
- OK.
Depois que a pizza estava pronta eu sentei na mesa com ele, e ele foi na geladeira e pegou um refrigerante.
- AH NÃO! REFRIGERANTE NÃO!
- Só um copo, por favor! Por mim!
- Ok.
Ele serviu e comemos em silencio, aquela pizza rasgando minha garganta por dentro. Eu estava realmente muito mal, mas não queria que ele percebesse que meu problema em relação a comida era tão sério assim.
- Você como um pedacinho a cada dez minutos, eu até já terminei de comer, porque você faz isso?
- Pra mastigar melhor, ainda mais queijo, e depois se eu precisar vomitar fica mais fácil. E você vai me fazer sofrer se eu vomitar sabia? É horrível vomitar refrigerante, arde.
- Então não vomita.
Não respondi, e não consegui terminar de comer a pizza porque ele estava me olhando, mas não brigou comigo por isso.
- Eu tenho que ir pra casa… – me levantei.
- Eu te levo.
- Ta bom.
Saímos e fomos até a porta, ele saiu e a trancou. Fomos caminhando lentamente, eu o guiando por quais ruas deveríamos ir, minha casa não ficava muito longe dali, enfim chegamos.
- É aqui.
- Isso é um até logo né? Não um adeus.
- Creio que sim.
- Agora você me assustou.
- Só não sei se vou amanha na aula, só isso, preciso me recuperar do que aconteceu hoje, se quiser podemos conversar no whatsapp ok?
- Tudo bem, eu te chamo lá, mas não faz nenhuma besteira ta? – ele me deu um beijo na testa.
- Pode deixar. – entrei em casa.
Meus pais não estavam e fui direto pro chuveiro e depois pra cama, chorei muito, eu estava perdida, e eu celular vibrou, ele havia me chamado.
Não respondi, ele começou a ficar preocupado e eu a escrever uma carta de despedida. Depois de escreve-la me deitei na cama e pensei se realmente teria coragem de fazer aquilo. Peguei os remédios que já havia separado antes e uma navalha, tomei todos os comprimidos de uma vez, enquanto meu celular vibrava, ele estava me ligando, ele sabia que eu ia fazer alguma coisa, ele sentiu, deveria estar chorando. Cortei um pulso com força, jorrou sangue na parede e eu gritei de dor, eu estava quase desmaiando, percebi que meu telefone havia parado de vibrar. Ouvi um estouro, era a porta, quando vi ele estava na minha frente.
- Ju, olha pra mim! O que você fez? – ele dizia chorando.
E eu só percebi o tamanho da burrada quando vi que ele estava coberto com meu sangue. Comecei a perder a consciência e só escutei ele dizendo “não faz como minha mãe, não me deixe aqui sozinho” depois disso não vi mais nada. Acordei três dias depois em uma cama de hospital, estava tonta e confusa não sabia nem lembrava o que tinha feito. Depois me explicaram, ele só me pediu uma coisa, estava do lado da cama quando eu acordei e me contou tudo.
- Nunca mais pense em me deixar. Promete?
- Prometo.
Ele abriu uma caixinha vermelha e lá tinham duas alianças.
- Quer ser mais do que minha amiga?
- Sua namorada? – sorri.
- Sim.
- Sim eu quero.
Ele me deu um beijo e colocou a aliança no meu dedo. E a partir dai que eu percebi que existem coisas boas, ou que as coisas boas também podem acontecer comigo, eu estava pela primeira vez em anos, feliz. E graças a ele, eu estava viva graças a ele. Eu seria grata por toda minha vida a ele e queria que ele estivesse nela até ela terminar.
- Enquanto eu estiver do seu lado eu vou te ajudar, e nunca vou te deixar.
Eu chorei, mas de alegria, finalmente eu me sentia viva.
Diário de uma auto-mutiladora. (via permutou)
“Por um mundo com mais abraço apertado e menos beijinho no ombro.”
Clarissa Corrêa.  (via rasurador)

O erro de algumas pessoas é pensar que palavras podem consertar atitudes.


taraddona